quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Infidelidade

Mário chegou em casa numa quarta-feira, que é um dia esquisito.
Quando seu namorado veio do trabalho e se deparou com ele sentado na privada
pensativo com Tobby no colo. 'Que estranho', pensou. Pouco depois chegou sua
mulher que estranhou ver o marido sério, em pé ao lado da porta do banheiro.
Tudo na casa estava em seu devido lugar, nada incomum, apenas o marido estagnado
ao lado da porta. Ela sentira uma enorme falta dele, pegara um avião e viera
para São Paulo. Apenas isso.
- Me contaram que você tem outro. – disse Mário ao companheiro.
O homem deu uma gargalhada. Sua face passou a demonstrar espanto.
- Mas quem contou tamanha bobagem?
A mulher permaneceu onde estava e continuou observando o marido, desta vez pasma com o que ouviu.
- Vai me dizer quem contou?
- Me contaram, apenas isso. – disse Mário, vago. E complementou: - Um alpinista
- Mas, como? Eu, namorando um alpinista?
A mulher não conseguia acreditar no que ouvia. Seria seu marido um bissexual? Mas, logo ele que era tão conservador?
Os olhos dela se encheram de lágrimas. Mário foi dramático:
- Me preocupo com Tobby.
- Mas isso é loucura! Eu não conheço nenhum garoto alpinista!
- Eu não falei na idade dele. – disse Mário, como se isto incriminasse mais ainda o companheiro. Ele tentou brincar:
- Alpinistas geralmente são novos e sarados também, querido.
Ele não riu. Estava resignado. Talvez merecesse tudo aquilo. Mas se preocupava com Tobby, o chiuaua que já fazia parte da família.
Ela continuava pasma. Seus olhos tristes fitavam a figura do marido e seus ouvidos captavam cada palavra proferida.
Ele abraçou Mário. Mas o que era aquilo? Nunca desconfiaram um do outro. Nunca.
Ela estava cansada daquela conversa absurda. As lágrimas rolaram em sua face. Decidiu voltar para sua casa.
Dirigiu-se à porta, ouviu:
- Isso é coisa da Lívia não é? Aposto que é coisa da Lívia. – disse ele.
Não, não era coisa da Lívia. Um telefonema anônimo. Mário se esforçara para não dar importância a ele. Esforçara-se para não acreditar. Mas não resistira.
- Me desculpe.
Ele abraçou novamente Mário, dessa vez mocionado e um tanto aliviado. Fê-lo jurar uma coisa.
- Nunca, mas nunca mais vamos desconfiar um do outro. Promete?
- Prometo.
Abraçaram-se e beijaram-se longamente.
Ela não aguentou. Decidiu ir embora dali rapidamente, sem ser notada.
- Ficará em casa hoje? - perguntou Mário.
- Não, tenho uma reunião no Rio de Janeiro.
- Bom, também tenho um compromisso. É aniversário do meu primo de Campinas.
- Tudo bem. Divirta-se.
Mário pegou o avião para Curitiba no início da tarde. Seu compromisso era naquela noite, e ele se chamava Lívia. Com a história do telefonema anônimo tinha conseguido um habeas-corpus preventivo.
'Que diabo', pensou. Com o mundo neste estado, aquele podia ser o último “aniversário” da sua vida. Mas não conseguiu nem encarar o porteiro.



Texto readaptado.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Apresentação

Após passar alguns longos minutos pensando nas melhores palavras para o meu primeiro post, cá estou.Deixarei claro, para quem ler e para mim mesmo, que todo o conteúdo que eu postar neste blog será apenas sobre a minha realidade e inspiração cotidiana. Para evitar mais delongas aqui vai um breve resumo:

- SOBRE BUBLY:
Bubly é um pseudônimo criado por mim com o intuito de mostrar que o importante não é o escritor e sim suas histórias. Além disso, a criação de Bubly serve como uma forma de me libertar de tudo aquilo que me prende ao comum, ao óbvio. Como Bubly não terei papas na língua e serei quem eu sempre quis ser.


"E, de repente, ela é justamente o que eu gostaria de ser."


- SOBRE MIM:
Decidi responder rapidamente a um questionário feito por mim para que, talvez, alguém que vá ler meus posts futuramente tenha uma noção de como e quem eu sou.

Idade: 19 anos
Relacionamento: não tenho namorado e nem pretendo ter, acho uma perda de tempo
Mania: contar estrelas.
Qualidade: sou muito aplicada e centrada
Defeito: leves desvios de caráter
Música: prefiro as músicas agitadas,com letras que façam sentido na minha vida

Talvez algum dia, se eu achar necessário e me sentir bem, revelarei minha verdadeira identidade e mostrarei quem eu sou, muito além de Bubly.