sábado, 8 de janeiro de 2011

A terceira

DOMINGO, 24 DE JANEIRO DE 2010

Está chovendo muito lá fora. As árvores estão dançando a canção da natureza enquanto deixam que suas folhas se desprendam de forma harmônica e natural de seus galhos grossos e compridos. Lembrei-me de você...

Era a mulher linda entre todas! Aliás, sempre foi a mais linda de todas! Sempre fiz questão que você e todos soubessem disso. Me enchia de orgulho só de lembrar que você era a minha namorada.
Eu a assistia da primeira fileira. Eram muitas garotas belíssimas, porém nada conseguia fazer com que eu tirasse meus olhos de você além do fascínio que seus gestos transmitiam durante a apresentação. Coppélia, jamais esquecerei o nome do ballet de repertório! Aquela noite foi a noite mais mágica da minha vida!
Te vi trajada a rigor coreografando de forma tão delicada... a nobreza da entidade representada por cada movimento singelo e compassado que você passava à plateia me enchia os olhos de lágrimas e o coração de orgulho. Vi naquele dia, em sua dança, o equilíbrio entre serenidade e força. Movimentos rápidos, certeiros, acrobacias teóricamente impossíveis e uma beleza incomparável. Sua resistência, autônomia e bravura, naquele instante fizeram-me ver que com seriedade e amor de verdade vamos ocupando um espaço que desde sempre nasceu para ser nosso.
Senti as palmas que pontuaram após o final da apresentação como uma vitória, uma vitória sua que tinha como troféu o glamour dos palcos. Uma vitória pela sua vitória. Por tudo que passara naquela semana difícil da morte de sua mãe. Seu rosto brilhava e iluminava todo o teatro. Digo que me surpreendi, sabia que era uma excelente bailarina, mas sabia que estava com o coração partido. A morte da sua mãe naquela semana tirara toda a vontade de viver. Mas naquele momento era a última coisa que tinha em mente. Você sentia que o palco era seu. E o olhar que lançou após me ver na plateia me fez sentir que você, mais do que nunca, era minha.

Só queria que soubesse que sinto sua falta. Só isso.

P.S: Por onde você anda? Preciso vê-la, nem que de longe.

Do seu eterno apaixonado.

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